# 31

Era técnico de manutenção.

 

Tinha a seu cargo válvulas de segurança, bombas de sucção, manómetros e tubagens várias.

 

Desde novo que se preocupava com o seu aparelho urinário.

 

Apesar das ecografias renais normais e das análises de urina inocentes, afirmava que a sua urina tinha um depósito permanente, com pequenas partículas que ele esmagava entre os dedos.

 

Não eram as uroculturas negativas e os exsudados uretrais estéreis que o impediam de sentir ardor a urinar, urgência, polaquiúria e toda a panóplia de sintomas, que aumentaram consideravelmente com o advento do Google.

 

O fluxo urinário também o preocupava: tinha dificuldade em iniciar a micção, o fluxo era fraco, interrompia-se, gotejava.

 

E também havia a glande e o sulco balano-prepucial que tinham sempre qualquer coisa: manchas, minúsculas borbulhas, glândulas sebáceas entupidas, saliências e reentrâncias, comichões e descamações.

 

Tudo isto implicava cremes hidratantes com um ph específico e exames complementares frequentes.

 

E todos normais, claro.

 

Mas, se calhar, ele é que tinha razão.

 

Afinal de contas, era ele o técnico em tubagens.

publicado por artur às 20:42 | link do post | comentar