# 1

R. era taxista de dia e operário à noite, ou vice-versa. Conforme os turnos.

 

Foi o único operário que eu conheci que já tinha feito um lifting - e estávamos nos anos 80 do século passado.

 

Uma vez, quiz oferecer-me um carro. Achava que não era digno um médico andar de Fiat Uno.

 

Não chegou a dar-me carro nenhum. Suspirei de alívio.

 

Outra vez levou uma sova por causa de qualquer coisa relacionada com droga. Ficou sem um olho.

 

Acabou assassinado, com um tiro, dentro do seu próprio táxi.

publicado por artur às 11:39 | link do post | comentar