# 52

Dizia que era médium mas que não sabia controlar esse poder.

 

Sofria horrores com os sofrimentos alheios.

 

De repente, uma angústia avassaladora, uma sensação de morte eminente.

 

Dava urros, agitava os braços, ninguém a segurava.

 

Depois, tudo passava e ela ficava exausta.

 

Mais tarde, vinha a saber que alguém conhecido estava doente e esse mal, de algum modo misterioso, se transferia para ela.

 

Quando a consultava no domicílio, tinha períodos em que mudava de voz.

 

Num sussurro, dava-me instruções, dizia-me como devia proceder, os exames que devia pedir.

 

Depois voltava ao seu registo habitual e mostrava-se espantada, como se tivesse sido habitada por outra pessoa durante aquele todo aquele tempo.

 

Naquelas consultas, sentia-me completamente ignorante.

 

Ninguém nos ensina isto na Faculdade!

publicado por artur às 20:58 | link do post | comentar