# 42

O boné de pala e a T-shirt encardida, com o anúncio estampado ao Café Central, seriam suficientes para o classificar: era popular.

 

Todos o conheciam e à sua verve.

 

Gostava de palavras difíceis, de sete mil e quinhentos, como costumava dizer, no tempo do escudo.

 

Nos tempos livres, que eram muitos, lia A Bola - daí o gosto pelas palavras difíceis.

 

Nunca dizia bola, preferia esférico.

 

Nunca dizia jogo ou desafio, preferia prélio.

 

Mas, por vezes, as palavras difíceis tornavam-se complicadas, sobretudo desde que a patroa adoecera com uma neoplasia.

 

Desconsolado, dizia que ela tinha metáforas no fígado...

publicado por artur às 19:24 | link do post | comentar