# 39

Tinha crises de pânico desde os 30 anos.

 

Incapaz de lidar com elas e incapaz de fazer uma medicação regular, recorria à ajuda do pai.

 

Como era distribuidor de mercadorias, percorria o país de lés a lés, conduzindo uma carrinha comercial. E o pai, recém-reformado, ia com ele.

 

Com o pai sentado no banco a seu lado, sentia-se seguro e o pânico abrandava.

 

Andou nessa vida cerca de 6 anos até que conheceu a que viria a ser sua mulher.

 

Foi ela quem lhe acalmou os nervos e o obrigou a uma medicação mais regular.

 

As crises de pânico melhoraram.

 

Prescindiu da companhia do pai.

 

Arranjou um emprego melhor, como motorista de transportes públicos de longo curso.

 

Certo dia, entre Setúbal e Almada, as cólicas abdominais eram tão intensas que julgou que não conseguiria aguentar as fezes.

 

Lá chegou a uma estação de serviço, pediu desculpa aos passageiros e foi aliviar-se.

 

Foi quando começaram as diarreias.

 

Agora, antes de iniciar cada percurso tem que ir meia dúzia de vezes à casa de banho e já as conhece todas, ao longo de todas as carreiras.

 

publicado por artur às 18:14 | link do post | comentar